De repente me lembro do verde. Quando tínhamos 15 anos e habitávamos praças que não eram nossas, eu observava a languidez prestativa das árvores. O sol aqui é mais quente, a gente sabe. Queima a carne, deixa marcas. Temos a sombra das árvores.
Eu olhava aquela impermeabilidade de folha que empurra a gota ao solo. Aquela autonomia de árvore em pé, balançando. Acho que tanto eu quanto você éramos verdes e duros e ao vento. Queria ser árvore junto com você. Queria ser você sem precisar ocupar o mesmo espaço no mundo. Sem precisar ser identificado como eu, sem identificar você. Ser com você, balançando.
Queria verdurar com você sem precisar pensar em nada. Sinto a imensa falta de nós dois verdurando até hoje.