“O céu desmoronou-se em tempestades de estrupício…”

Maio 4, 2009

carta a um cachorro 2

Arquivado em: Sem-categoria — akila @ 11:27 pm

Parece mentira, né? Mas é coisa típica do acaso mesmo. Você me invade dia e noite, sem me invadir efetivamente. Só entra nos meus dias como se pudesse, como se eu quisesse. E se quisesse, não deveria.

Me sinto burra. Tola. Porque quando eu te queria com unhas e dentes, sem garras, você não estava comigo. E eu notava uma coisa bem simples. Quando eu escapava, você se divertia me procurando. Deve ser uma daquelas conhecidas generalizações a respeito dos homens. Dos humanos. Insatisfação humana comum.

Talvez eu também sentisse isso e te culpe por tudo o que eu sentia. Como se você fosse o motivo de tudo. Quando talvez eu deveria ser motivo de alguma coisa também.

Existe uma coisa que está dentro de mim e que não largo. A vontade de ter coragem. É vontade de ter porque ela vem mais quando eu tenho medo. Então eu preparo para aguentar furacão que for. Alagação que for. Neve, vulcão que for.

Eu admiro isso em mim. E admiro nos outros que também têm isso.

Acho que você tinha.

Não quero te escrever. Não queria que você tivesse vindo até mim, assim, justamente quando eu mais te procuro.

Será que escrevo?

Vou suportar até ter certeza de que preciso saber de você. E então veremos o que será. Se será bom ou não será absolutamente nada.

Agora preciso parar de escrever. Até um próximo acaso.

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