Não é que eu precise ansiosamente de alguém. Vai. É uma procura por alquimia. Na verdade, é meio espelho. Preciso de alguém que me ame. Por quem vale à pena acordar cedo pra bater um papo de longe, por quem me faça morrer de amor sozinha à noite. Sem ser encontrada por ninguém. Debaixo do cobertor, o quarto frio, os dedos quentes.
Alguém que só ame e não peça nada em troca. Porque não dá pra tocar agora. Preciso de mistério. E de surpresa. Um homem com H, desses que te puxa pelo braço e te apresenta o mundo por um ângulo até então desconhecido.
Eu me alimento de paixão, essa é a verdade. Mesmo quando é paixão por uma barata morta. Ou uma formiga. Ou o cheiro de um shampoo cor-de-rosa. Sabe que há uns dias atrás quase chorei com o cheiro do condicionador. Não estava usando todos os dias e foi quase como voltar praquele chalé, tomar banho quente pensando em te reencontrar na nossa cama, conversar com o cachorro na porta, pular na piscina gelada antes de você.
Por que algumas coisas simplesmente não acontecem?
Por que eu tenho mais atitude quando sei que não devo?
Tá. Menthyra. É tudo mentira.
Não, não é.
“Para pisar no coração de uma mulher basta calçar um coturno com os pés de anjo noturno.”
Eu gosto de homem malvado. Hahah. Sabe assim, naquela váibe feio-sujo-e-malvado? Mas não literalmente. Alguns homens são selvagens por natureza. Como aquele do carnaval. Ele pode usar até regata sem ficar ridículo. Não sei se porque era uma atração antiga ou porque ele me causa algum desconforto.
E porque ele falou deliberadamente o que não deveria falar. Perto do meu ouvido. A barba na minha nuca. O que ele não deveria falar já acontecia ali, deliberadamente na minha cara de insana. Deliberadamente nos meus olhos inquietos. Deliberadamente no meu meio sorriso.
As mãos grandes, o coração inquieto, a saúde tensa e a passagem marcada. Fazer o quê?