Tudo é tão terapêutico, uma vez eu escrevi sem pensar. E todo mundo anda tão doente, escrevo pensando. Olha, só de perto preciso de outra mão para contar o número de pessoas com problemas. E isso já poderia ser mais um problema, eu não ter uma outra mão. Se deixar, reclamarei por não ter 10 membros superiores ao invés de 2. Reclamar não tem fim.
Mas aí… se não existe problema, por que as pessoas tomam tantos remédios? Remédios para depressão que podem levar ao suicídio. Interessante? Não compreendo. Nem sei se quero compreender. Ainda bem que tenho um certo nojinho de remédio.
Conheço uma mulher que trabalha o dia inteiro, rala, não faz sexo sei lá há quanto tempo, grita e no meio da confusão mental causada pelos próprios gritos revela que está com depressão, que está tomando remédios e que não pode deixar de ir à igreja para ficar um pouco com a mãe porque precisa daquele apoio emocional para poder seguir em frente.
Conheço outra que está tomando mais de 10 remédios por dia. Nem mesmo ela sabe os efeitos colaterais dos remédios que toma. Os médicos conversam entre eles, colocam mais remédios na lista, falam para que ela não se preocupe e não dizem mais muita coisa. Explicar para quê? Ela comentou comigo que falou uma coisa em um carro sobre três meses e não faz a mínima idéia do que isso significa. Chorou no elevador. Ela as vezes erra as dosagens do remédio, desaprendeu a escutar e sometimes parece perdida. Fico pensando no tal do bode expiatório…
Conheço um cara tem síndrome do pânico. Bom, ele acredita nisso. Ele também grita, mas ele fica sem ar quando fala, de tanta energia desperdiçada à toa para dizer coisas simples que podem ser bem entendidas por qualquer um com uma simples-frase-ponto. Tem problema na glândula tireóide. A glândula tireóide fica no lugar do chakra laríngeo. Tem a ver com o que você fala por aí. Tem a ver também, e creio que até mais, com o que você grita por aí…
Conheço um cara anti-social. Ele sorri as vezes, não precisa de ninguém, é calmo e sábio, mas pela idade, vez por outra não acredita que existem coisas que ele desconhece. Já teve depressão, já assustou os amigos, já casou com a mulher errada e já não se importa com quase nada. Só com a metodologia diária. É uma formiga. Até certo ponto sábia, mas formiga. Pensando bem. Acho que bem sábia, já que não cria problemas e é uma formiga autosuficiente.
E eu? Eu ando preocupada com algumas pessoas, ando procurando viver meu tempo intensamente, observando como me tratar da melhor forma possível, fugindo de psicanálises, amando com calma, sentindo saudades e planejando paz. Estou vivendo. Vez por outra me pego meio desesperada, vez por outra piso em falso, mas estamos aí. Um dia de cada vez.
Esse lance de remédio, doenças estranhas, bolas de neve, relações doentias, medos e desejos me deixa de cabelo em pé.
E a superficialidade de tudo? E a minha superficialidade? E o meu mergulho? E o meu vôo? E o meu pé? E o meu cabelo?
Porque, por exemplo, eu adoro escrever em blogs, fazer as unhas, participar das coisas, ler, namorar, dançar, mudar o visual, ir para o teatro, comer coisas gostosas. Viver é tão legal. Tenho vivido muito. As vezes o segredo não é tão secreto. Mas devo dizer que o tempo é pouco. Muitas vezes.
Oh, god. Heeelp.
Quero encontrar o meio-termo entre ser minha e me doar. Acho que tenho tido um foco, principalmente agora, em cuidar de mim, crescer, perceber, cuidar, mudar. E aí surgem lugares que precisam de mim e que também me servem de campo de treinamento, sacomoé? É bom também. Uma hora vou saber administrar tudo bem direitinho. Mas será que é sobre saber deixar tudo bem direitinho? A vida é esse enquanto, né? Don’t analyse, don’t analyse.