Oi. Sempre quis te escrever
Sempre quis falar contigo. Mas não sabia como. E nem teria como. Sabe que até hoje lembro de você várias vezes? E de vários modos. Não acho que você ainda é especial. Você é uma grande dúvida na minha vida. Mas é uma dúvida minha. O que diz respeito a mim nem sempre te respeita. Nem sempre você precisa ficar sabendo.
Eu lembro do seu cheiro. Mas acho melhor começar do começo.
Você veio tomando seu espaço devagar. Eu sabia o que você queria. Você achava que não. Me chamando pra escrever uma coisa ali com você, sugerindo reuniões na sua casa depois lá pelas 9 da noite. E eu não queria. Mas queria. Eu te achava alguém contra o que eu esperava de um homem. Não gostava do seu cheiro. Nem das suas roupas. Mas eu fui.
Eu não te beijei. Você colocou um dos filmes mais lindos que eu já vi no DVD. Nós demos muitas risadas. Depois você veio com o nariz enorme e eu fiquei pequena. Muito pequena. Fechei os olhos e exalei calada. E chorei por dentro. Senti culpa. E te disse adeus. E tentei esquecer.
Não esqueci. Nem você. Daí em diante foi bonito, mas eu via os ossos dos pés dela estalando nas paredes. Eu ouvia a voz dela na sua canção da manhã. Eu sentia até os dedos das mãos dela na sua juba, enquanto os seus tocavam algo para você mesmo. Eu sabia de tudo. Mas eu já gostava do seu cheiro.
Com você eu me sentia em casa. Eu dormia em cima de você, comia em cima de você, cantava em cima de você, dançava. E foi tanto suor, tanto tremor, tanto calor, tanto amor que eu disse ok, vamos lá. Paixão sem medo.
E vivi muitíssimos anos em 6 ou 8 meses. Morrendo de medo, mas querendo. Esperança e coragem, garota. Viva a vida e o que ela te traz. Eu vivi, mas algo me chamava pra fora de tudo. Algo m avisava que não era tão bom assim. E eu me perguntava… por que diabos não pode ser maravilhoso? Por que não pode ser doce.
Por que diabos? Foi engraçado como o diabo ficou bem perto do nosso fim. Você com sua pesquisa diabólica. Eu com meus sonhos lúcidos assustadores. Eu e você com nossas histórias, nossos contatos, nossas experiências metafísicas. Eu acreditei em várias palavras absurdas só porque eu quis acreditar em você.
Talvez por isso eu tenha essa vontade absurda de você ainda.
Mas não é. O motivo é outro. E eu sei o que é. É que eu penso nas coisas ruins, nas mentiras, nas ofensas. E prefiro esquecer. Não esqueço. Mas prefiro. E aí me lembro das risadas, da rede, da cozinha, da mesa, da cama. Me dá uma saudade. Saudade de ter alguém próximo como eu te deixei ficar.
Eu prefiria que não fosse saudade do teu beijo. Prefiria que não fosse saudade das tuas mordidas. Mas não dá pra dizer que não. E já faz quase um ano.
Se eu queria você de volta? Não. Porque agora eu já sou outra. E provavelmente não te daria de volta a majestade. E sem ela você saíria correndo no dia seguinte, sem dúvidas.
Você foi o grande amor da minha vida. Que legal, né? Antes de você tinha sido o que veio antes de você. E antes dele, o outro antes dele. Daí a gente já sabe o que esperar, né?
Mas não se espera nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado.
Bom. Acho que isso é tudo.
Um último beijo pra você. De lembrança.
Adios, brujo.